Concentre o foco em um objeto qualquer, como um lápis sobre a mesa, e observe-o alternadamente com um olho e depois com o outro. Ele parece se mover! A explicação é simples: nossos olhos, apesar de bem próximos entre si (aproximadamente 7 cm), não veem exatamente a mesma coisa. Cada olho distingue duas dimensões, não três. Então, como conseguimos perceber o volume dos objetos? É nosso cérebro quem se encarrega de integrar as duas imagens simultâneas, criando uma terceira em 3D. Sem ela, não poderíamos viver. A alimentação, por exemplo, seria uma tarefa quase impossível.
Todas as artes visuais, como a pintura, a fotografia, o cinema e a TV, sempre tentaram fazer com que seus suportes em duas dimensões oferecessem a ilusão da tridimensionalidade.
Em 1840, para surpresa de seus contemporâneos, o cientista britânico Charles Wheatstone inventou o primeiro aparelho que, a partir de duas fotografias em preto e branco, conseguia gerar um impressionante efeito em 3D. Desde então, foram desenvolvidas múltiplas variações.
A ideia mais bem-sucedida é simples. Baseia-se em projetar duas imagens simultâneas e sobrepostas, apenas deslocadas uma da outra. À primeira vista parece um erro, o que os impressores denominam "fora de registro". Mas se usarmos óculos especiais, já não percebemos este erro aparente. Mediante filtros diferentes, um olho recebe uma das duas imagens, enquanto o outro recebe a outra. É assim que se reproduz a visão "natural": cada olho observa algo levemente diferente, o cérebro compõem a imagem final e então vemos a figura bidimensional tornar-se corpórea.
A técnica de decomposição da imagem em duas sobrepostas, assim como as características dos óculos, cada vez mais sofisticados, evoluíram enormemente. No entanto, o princípio geral em que se baseia continua o mesmo."
O público teve o primeiro vislumbre da tecnologia 3D em 1922 com o lançamento de "Power of Love". Se ele achou que era uma coisa curiosa ou não está perdido na história. Mas aquilo começou uma fascinação um tanto cíclica com o filme tridimensional.
TV 3D
O próximo grande boom em 3D aconteceu nos anos 50. Aquela era apresentou o mundo a dezenas de filmes B que se basearam pesadamente em dispositivos estranhos. Produtores de filmes queriam encontrar meios de atrair o público de seus televisores para os cinemas. Seus estratagemas variavam de instalar pratos vibratórios nas poltronas do cinema para simular um choque elétrico a deslizar por cima da platéia um esqueleto inflável durante o filme. Comparando, usar um par de óculos ridículos é até bem comportado.
Vários episódios e especiais para televisão apareceram em 3D. Há também um mercado para DVDs 3D. Para a maioria, o 3D não tem grande impacto na indústria do entretenimento doméstico. Mas se algumas das mais populares demonstrações da CES 2009 forem bons indicadores, num futuro muito próximo nós conseguiremos alcançar as imagens que saem das telas de nossas tevês.
Tudo tem a ver com a forma como nós focalizamos os objetos. Nós vemos coisas porque nossos olhos absorvem a luz refletida dos itens. Nossos cérebros interpretam a luz e criam uma imagem em nossas mentes. Quando um objeto está longe, a luz viajando para um olho é paralela com a luz viajando para o outro olho. Mas à medida que o objeto chega mais perto, as linhas não são mais paralelas - elas convergem e nossos olhos "trocam" para compensar. Você pode ver esse efeito em ação se você tentar olhar algo que está bem na frente do seu nariz - você vai conseguir uma adorável expressão de olhos cruzados.
Quando você focaliza um objeto, seu cérebro leva em conta o esforço exigido para ajustar seus olhos para focalizá-lo, bem como o quanto seus olhos tinham de convergir. Juntas, essas informações permitem estimar quão longe um objeto está. Se seus olhos tiverem de convergir bastante, então é lógico que o objeto está perto de você.
O segredo dos filmes e televisores 3D é que ao mostrar a cada olho a mesma imagem em duas posições diferentes, você pode fazer seu cérebro pensar que a imagem chata que você está vendo tem profundidade. Mas isso também significa que os pontos de foco e convergência não casem com o modo com que eles fazem em objetos reais. Embora seus olhos possam convergir para duas imagens que parecem ser um objeto bem na sua frente, eles, na verdade, estão focando em uma tela que está mais longe. É por isso que você fica com a vista cansada se tentar assistir a muitos filmes 3D de uma mesma cadeira.
Como você mostra duas imagens diferentes que parecem ser apenas uma? Está tudo nas lentes.
Óculos passivos
Nos negócios 3D, há duas grandes categorias de óculos 3D: passivo e ativo. Lentes passivas se baseiam em uma tecnologia simples e provavelmente são aquilo que vem à sua mente quando se ouve o termo óculos 3D. Os clássicos óculos 3D têm lentes anáglifas.
Lentes anáglifas usam duas lentes de cores diferentes para filtrar as imagens que você vê na tela da TV. As duas cores mais comuns são vermelho e azul. Se você olhasse para essas telas sem seus óculos, você veria que há dois conjuntos de imagens levemente deslocadas uma da outra. Uma terá uma tinta azul nela e a outra, um tom avermelhado. Se você colocar seus óculos, você verá uma única imagem que parece ter profundidade.
As lentes vermelhas absorvem toda a luz vermelha vinda da televisão, cancelando as imagens de tom avermelhado. As lentes azuis fazem o mesmo com as imagens azuis. O olho atrás da lente vermelha somente verá as imagens azuis, enquanto o olho atrás da azul vê somente as vermelhas. Como cada olho pode ver apenas um conjunto de imagens, seu cérebro interpreta isso de forma que ambos os olhos estejam olhando para o mesmo objeto. Mas seus olhos estão convergindo em um ponto que é diferente do ponto focal - o foco sempre será a tela da sua televisão. Isso é o que cria a ilusão de profundidade.
Hoje, o mais popular tipo de lentes passivas em cinemas pode ser encontrado no óculos polarizados. De novo, se você olhar para uma tela que usa essa tecnologia, você veria mais de um conjunto de imagens. Os óculos usam lentes que filtram as ondas de luz projetadas em certos ângulos. Cada lente permite luz apenas na que está polarizada de forma compatível. Por causa disso, cada olho verá apenas um conjunto de imagens na tela. Lentes polarizadas estão se tornando mais populares que os óculos anáglifos porque os óculos não distorcem tanto a luz da imagem e proporcionam uma melhor experiência ao público. Mas é muito difícil usar a técnica da polarização para sistemas de home theater - a maioria dos métodos exigiria que você cobrisse a tela de sua tevê com um filme de polarização especial primeiro.
Óculos ativos e TV 3D prontas
Nos últimos anos, engenheiros apareceram com uma nova forma de criar imagens tridimensionais em cinemas e televisões. Você ainda usa óculos 3D com este método, mas eles não têm lentes coloridas. O método não compromete a qualidade da cor da imagem como fazem os óculos anáglifos. E também não exige que você coloque um filme de polarização na tela da sua tevê. O que ele faz é controlar quando cada um de seus olhos pode ver a tela.
O óculos usa a tecnologia de LCD para se tornar uma parte ativa da experiência de observação. Eles têm sensores infravermelhos que permitem que eles se conectem sem fio com seu televisor ou display. À medida em que o conteúdo 3D aparece na tela, a imagem alterna entre dois conjuntos da mesma imagem. Os dois conjuntos estão deslocados um do outro, de modo similar ao que acontece com os sistemas de óculos passivos. Mas os dois conjuntos de imagens são mostrados ao mesmo tempo - eles ligam e desligam a uma taxa de velocidade incrível. Na verdade, se você olhasse para a tela sem os óculos, ela apareceria como dois conjuntos de imagem simultâneos.
As lentes LCD nos óculos alternam entre ser transparente e opaco à medida que as imagens se alternam na tela. O olho esquerdo apaga todas as luzes quando a imagem do olho direito aparece na televisão e vice-versa. Isso acontece tão rápido que sua mente não pode detectar as lentes piscando (flicker). Mas porque ela está sincronizada exatamente com o que está na tela, cada olho vê apenas um conjunto das imagens duplas que você veria se não estivesse usando os óculos.
Por muitos anos, as telas de LCD e plasma não foram boas candidatas para esse tipo de técnica. As taxas de refresh - a velocidade em que a televisão substitui a imagem na tela - foram muito baixas para que a tecnologia funcionasse sem que o espectador detectasse o flicker com os óculos. Mas agora você pode encontrar displays de plasma e LCD com taxas de refresh incríveis.
Existem 4 tipos de técnicas de composição de imagens 3D:
- Anaglífico (tradicional) - as imagens são trabalhadas em camadas e com cores cromaticamente opostas, simulando o efeito de estereoscopia através da utilização dos óculos com lentes verde / vermelha. Esta tecnologia existe desde os anos 50, e é considerada obsoleta (neste tipo o equipamento de TV é o normal).
- True 3D – idêntico ao que é utilizado actualmente no cinema (ex: Avatar) com óculos polarizados. Trata-se da emissão de duas imagens em simultâneo que os óculos filtram de forma a criar a ilusão de três dimensões.
- Alternate-frame sequencing – emissão de imagens alternadas em conjunto com a utilização de óculos especiais (com lentes que abrem e fecham em rápida sucessão), normalmente utilizada em jogos de computador.
- Autostereoscopia - visualização de imagens de três dimensões em ecrã plano (cristal líquido combinado com lentes especiais) sem utilização de óculos. Esta tecnologia ainda está em fase de desenvolvimento e será aplicada fundamentalmente para fins publicitários.

